Etapas do Projeto

O projeto Restaura+está estruturado em 3 metas de trabalho. A Meta I, realizada entre dezembro de 2023 e abril de 2025, teve como principal objetivo realizar estudos de diagnóstico dos territórios de trabalho para subsidiar o plano finalístico da restauração florestal. Este documento, por sua vez, foi aprovado pelo IBAMA e constitui o documento base para a execução das atividades das Metas II e III. A Meta II, em andamento, teve início em setembro de 2025 e se estenderá até outubro de 2029, e contempla todas as ações de restauração, incluindo cercamento das áreas, controle de plantas exóticas e ações de engajamento das comunidades beneficiárias do projeto. Por fim, a Meta III, que será desenvolvida de novembro de 2029 até outubro de 2032, contará com ações de manutenção das áreas plantadas e de monitoramento de indicadores ecológicos, além de ações de engajamento das comunidades.

A linha do tempo apresenta os principais resultados alcançados e esperados em cada uma das etapas que compõem as Metas do projeto:

Meta I

Etapa A1
Diagnóstico do meio físico: levantamento e mapeamento da hidrografia, das feições geomorfológicas, do solo e caracterização da vegetação

Levantamento e mapeamento da hidrografia

Os resultados da hidrografia demonstraram que, em média, a densidade de drenagem nos 8 territórios foi classificada como mediana. O projeto de assentamento (PA) Conquista do Horizonte foi o território com a maior densidade de drenagem encontrada (classificada como alta a muito alta), totalizando 5,12 km/km² de corpos d’água. Já nos PAs Zumbi dos Palmares e 29 de Junho, a densidade de drenagem foi classificada como alta, com 2,14km/km² e 2,20 km/km² de corpos d’água, respectivamente. Os rios mais largos encontrados nesses territórios foram: rio Canoas, no Parque Estadual do Rio Canoas, com 533 metros de largura; o rio Chapecó, com 35 metros, delimitando o PA Che Guevara, em Passos Maia; o rio Ararinha, com 22 metros, delimitando a TI Toldo Pinhal, em Seara;  e o rio Chapecozinho, com 15 metros de largura, delimitando o PA Madre Cristina, em Passos Maia. Com relação ao número de nascentes, o PA Zumbi dos Palmares, em Passos Maia, apresentou o maior número de nascentes, totalizando 49, seguido pela TI Toldo Pinhal e o PA 29 de Junho, ambas com 22 nascentes mapeadas.

Etapa A2
Diagnóstico do meio físico: levantamento e mapeamento da hidrografia, das feições geomorfológicas, do solo e caracterização da vegetação

Caracterização das feições geomorfológicas e do solo

Quanto às feições geomorfológicas e características do solo, a maior parte das unidades de implantação (UI) da restauração florestal apresenta predominância do solo do tipo Cambissolo Húmico, que possui menor erodibilidade em comparação aos demais tipos de solo que ocorrem nas demais UIs. Considerando a declividade, a maior parte das UIs apresenta declividade média entre 20 e 45%, com relevo predominante do tipo fortemente ondulado. A taxa média da perda de solo nas UIs variou entre 0,01 Ton./ha/ano e 1.957 Ton./ha/ano, sendo que a maior parte das UIs foi classificada com perda de solo nula ou pequena.

As maiores altitudes foram encontradas no PA Conquista do Horizonte, onde os cumes mais altos do relevo atingem cerca de 1.200m. Nos PAs Zumbi dos Palmares e 29 de Junho também foram registradas altitudes superiores a 1.000m. As menores altitudes foram registradas na Terra Indígena (TI) Toldo Pinhal e no PA Dom José Gomes, variando entre 300 e 600m. 

Etapa A3
Diagnóstico do meio físico: levantamento e mapeamento da hidrografia, das feições geomorfológicas, do solo e caracterização da vegetação

Levantamento e caracterização da vegetação

O levantamento e caracterização da vegetação permitiu identificar o estágio sucessional, espécies dominantes, presença de espécies raras, presença de fatores de impacto e o estado de regeneração das formações florestais dos territórios estudados. Dentre os oito territórios, apenas dois, a TI Toldo Pinhal e o PA Dom José Gomes, estão dentro do domínio da Floresta Estacional Decidual. A fitofisionomia dominante nos demais territórios é a Floresta Ombrófila Mista, ou Floresta com Araucárias. Ambas as fitofisionomias pertencem ao bioma Mata Atlântica.

De acordo com os resultados, apesar da presença de pelo menos um fator de degradação em todas as unidades de implantação (UI) da restauração florestal analisadas (ex. pastoreio, invasão por espécies exóticas, queimadas e solo exposto), as formações florestais presentes nas UIs apresentam resiliência, devido à presença de espécies indicadoras e de espécies raras. Diversos fragmentos estudados apresentaram avanço nos estágios ecológicos, demonstrando o potencial de recuperação natural, especialmente em locais com menos fatores de degradação e fragmentos florestais de entorno abundantes. A diversidade da comunidade arbórea variou entre os fragmentos florestais estudados, com alguns apresentando valores aquém do esperado, como o PA Conquista do Horizonte, enquanto outros, como a TI Toldo Pinhal e o PA Dom José Gomes, destacaram-se pela alta diversidade e regeneração em estágios mais avançados de sucessão ecológica. Além disso, a maioria das áreas exibiram regeneração com diversidade superior ao estrato adulto, reforçando o avanço da transição ecológica, embora ainda sejam necessárias intervenções para acelerar e consolidar a restauração.

Etapa B1
Diagnóstico dos aspectos socioeconômicos, mapeamento do uso e cobertura do solo e mapeamento das estruturas de produção de sementes e mudas.

Diagnóstico socioeconômico

O estudo do meio socioeconômico foi realizado por meio do levantamento de dados secundários e da aplicação de questionários estruturados com as comunidades beneficiárias do projeto. 80  pessoas responderam ao questionário, o que possibilitou obter-se um retrato da realidade de cada território.

De modo geral, predominam nos territórios as pequenas propriedades rurais de agricultura familiar com média de renda na faixa entre 1-3 salários mínimos. As economias locais estão baseadas em atividades primárias, com destaque para o cultivo de milho e soja, bem como criação animal. Em todos os territórios a infraestrutura de serviços públicos é deficitária. O saneamento básico é assistido por “fossa rudimentar ou buraco”, ou “fossas sépticas ou filtro” em grande parte das moradias. Os resíduos sólidos, por sua vez, em sua maioria são queimados ou enterrados na propriedade.

No caso dos assentamentos, segundo as entrevistas realizadas, a maioria dos entrevistados participa  de organizações sociais, como cooperativas e sindicatos. Cerca de 59% desses residem a mais de 15 anos nos territórios. A situação de titularidade das terras foi declarada como regular para 83% dos respondentes. As informações de renda (64% ganham entre 1-3 salários mínimos); nível de instrução (50% possuem alguma instrução até o ensino fundamental completo ou incompleto); número de moradores por residência (70% das residências tem 4 moradores ou mais) corroboram a ideia de que os assentamentos (PA) têm como principal perfil: pequenas propriedades rurais regularizadas em que residem, há mais de 15 anos em média, famílias de 4 ou mais pessoas que não contam com boa infraestrutura de serviços públicos (saneamento básico e coleta de lixo). Seus residentes, por sua vez, são agricultores familiares de baixa-instrução, que cultivam para sustento próprio ou que comercializam o excedente da produção e tem renda média entre 1 e 3 salários mínimos. Os entrevistados declararam perceber ameaças para a reserva legal dos assentamentos (fogo; queimadas e corte irregular de madeira) e afirmaram considerar muito importantes projetos de restauração com espécies nativas. A maioria dos residentes não utiliza recursos da floresta, deixando em aberto um espaço para a ativação de uma bioeconomia local baseada em bioativos locais, particularmente, aqueles socialmente percebidos como de importância para geração de valor sociohistórico e econômico (araucária, erva-mate, imbuia e angico).

Na Terra Indigena, professores e agricultores foram as principais ocupações levantadas durante as entrevistas, 36% e 27%, respectivamente. Devido a isso, há uma proporção considerável de pessoas em níveis de instrução mais altos. 36% dos entrevistados possuem graduação incompleta ou completa e outros 36% indicaram possuir ensino fundamental completo ou incompleto. Os níveis médios de renda também estão na faixa entre 1 e 3 salários mínimos. Os respondentes, em média, residem a pelo menos 10 anos na TI (73% dos respondentes) em configurações familiares de 4 pessoas ou mais (54% das respostas). As principais culturas na TI são hortaliças e milho. As infraestruturas de serviços públicos também são precárias. O saneamento básico foi caracterizado por “fossa rudimentar ou buraco” para 64% dos respondentes, enquanto 82% destes declararam enterrar ou queimar os resíduos sólidos gerados. Os respondentes reconheceram que as principais ameaças à TI são o desmatamento, invasão de habitantes de outras regiões e roubo de madeira. A totalidade dos respondentes declarou explorar recursos da floresta como lenha e madeira caídas, pinhão e frutos, indicando oportunidades para a estruturação de cadeias de valores alinhadas aos princípios da bioeconomia, que podem gerar impacto local em nível de diversificação econômica e valor para a floresta em pé. A percepção social da importância da restauração com foco em espécies nativas, particularmente, cedro, araucária, angico e frutos reforça esse potencial latente do território.

Por fim, com relação ao Parque Estadual Rio Canoas (PAERC), sua zona de amortecimento é caracterizada pela predominância de minifúndios e pequenas propriedades rurais. Com relação às atividades econômicas, a região apresenta uma média diversificação, com produção agropecuária, silvicultura e turismo associados à visitação do Parque e seu entorno. O PAERC também apresenta infraestruturas deficitárias, particularmente, no que diz respeito às estradas.

Etapa B2
Diagnóstico dos aspectos socioeconômicos, mapeamento do uso e cobertura do solo e mapeamento das estruturas de produção de sementes e mudas.

Mapeamento do uso e cobertura do solo

Com o estudo do mapeamento do uso e cobertura do solo foi possível identificar o nível de fragmentação dos remanescentes florestais dentro das unidades de implantação (UIs) da restauração florestal, bem como de seu entorno. De modo geral, foi possível avaliar que os remanescentes florestais ocupam menores áreas proporcionalmente nos assentamentos, enquanto a TI Toldo Pinhal e o Parque Estadual Rio Canoas (PAERC) possuem maior quantidade de cobertura vegetal. Os assentamentos apresentam um predomínio de cultivos temporários, mosaico de usos da terra e pastagens, sendo exceção o PA 29 de Junho, onde a classe vegetação predomina na paisagem (52%). A classe cultivo temporário é predominante nos PA Madre Cristina e PA Zumbi dos Palmares, ocupando 40% de seus territórios. A classe pastagem é predominante apenas no PA Conquista do Horizonte, onde foi mapeada em 25% do território. Por fim, a classe mosaico de usos ocorre em maiores proporções nos PAs Che Guevara, Dom José Gomes e 29 de Junho.

Quanto às formações florestais, os valores percentuais nos territórios analisados variaram entre 34% (PA Zumbi dos Palmares) e 90% (PAERC). Do ponto de vista de análise da paisagem, o PA Zumbi dos Palmares é o mais fragmentado, com 344 fragmentos florestais mapeados. Por outro lado, o PAERC é o território que apresenta menor nível de fragmentação, com apenas 20 fragmentos.

Etapa B3
Diagnóstico dos aspectos socioeconômicos, mapeamento do uso e cobertura do solo e mapeamento das estruturas de produção de sementes e mudas.

Mapeamento das estruturas de produção de mudas e sementes

Por fim, o mapeamento das estruturas de produção de sementes e mudas demonstrou que há poucos viveiros produzindo espécies nativas na região, indicando a necessidade do projeto estabelecer parcerias com as universidades e comunidades locais para a implantação de viveiros florestais e produção de mudas das espécies nativas previstas no projeto.

Etapa C1
Elaboração do Plano Finalístico da Restauração Florestal e Oficina de Validação das Estratégias de Restauração

Plano Finalístico da Restauração Florestal

O Plano Finalístico contemplou todas as atividades propostas para as Metas II e III do projeto. Neste documento, todas as técnicas de restauração, espécies e quantidades de mudas a serem plantadas foram estabelecidas, assim como todas as atividades de engajamento e capacitação das comunidades beneficiárias do projeto. No Plano Finalístico foi definida a parceria com duas instituições de ensino e pesquisa para investimentos em viveiros florestais, a saber: o Centro de Ciências Agroveterinárias da Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC), em Lages, e o Instituto Federal Catarinense, Câmpus Abelardo Luz. Foi previsto o plantio de cerca de 160 mil mudas de 25 espécies nativas, incluindo ainda o replantio de 10% do total das mudas plantadas, visando minimizar efeitos da mortalidade esperada na restauração. Todas as áreas de plantio serão cercadas, quando necessário, e o controle de plantas exóticas também será executado por meio do corte e monitoramento. Está prevista a implantação de aproximadamente 24 km de cercas, entre cercas novas e manutenção de cercas antigas. Para 10 espécies alvo do projeto foi prevista a caracterização genética de duas populações para cada espécie, tendo em vista a marcação de matrizes e coleta de sementes de indivíduos arbóreos sadios e com viabilidade genética. As espécies alvo que passarão pela caracterização genética são: Apuleia leiocarpa (grápia), Araucaria angustifolia (araucária), Butia eriospatha (butiá da serra), Cedrela fissilis (cedro), Drimys brasiliensis (cataia), Myrocarpus frondosus (cabreúva), Ocotea odorifera (canela sassafrás), Ocotea porosa (imbuia), Ilex paraguariensis (erva-mate) e Mimosa scabrella (bracatinga).

Nas metas II e III também foram previstas 7 atividades de capacitação para o público beneficiário, incluindo visitas técnicas e cursos com certificados; 3 seminários visando a troca de experiências e a divulgação do mercado da restauração florestal no Brasil; e 3 atividades de educação ambiental envolvendo escolas públicas.

Etapa C2
Elaboração do Plano Finalístico da Restauração Florestal e Oficina de Validação das Estratégias de Restauração

Oficina de Validação das Estratégias de Restauração

A Oficina de Validação das Técnicas e Espécies para restauração florestal foi realizada em outubro de 2024, no PA Dom José Gomes, em Chapecó. Participaram da oficina 45 pessoas, entre agricultores e agricultoras de todos os territórios, 4 representantes da TI Toldo Pinhal e representantes do INCRA, IBAMA, Prefeitura Municipal de Passos Maia e de Chapecó e do IMA. Na oportunidade foram levantadas novas espécies de interesse das comunidades, as quais foram integradas ao Plano Finalístico.

Meta II

Etapa A
Mobilização dos beneficiários diretos e indiretos do projeto

Os resultados do diagnóstico socioeconômico realizado na Meta I - Etapa B, revelaram um cenário de dificuldades econômicas que a maior parte dos assentados e indígenas enfrentam, as quais impactam o acesso à saúde, à educação e a outras necessidades básicas. O diagnóstico socioeconômico também apontou que, apesar do reconhecimento da importância da floresta, poucos utilizam seus recursos de maneira organizada. Esse cenário abre espaço para o fomento a cadeias produtivas baseadas na floresta. Neste contexto, a restauração florestal precisa ser acompanhada de iniciativas que procurem fortalecer a economia local (economia baseada na cadeia da restauração e dos produtos florestais não-madeireiros) e incentivem a participação da comunidade. Para tanto, as atividades de capacitação foram estruturadas como uma estratégia essencial para garantir o engajamento e a perpetuidade da restauração florestal nos territórios do projeto Restaura+.

As atividades de mobilização e engajamento social da Meta II incluem:  3 atividades de capacitação, sendo 2 em formato de visita técnica e 1 em formato de seminário. Uma das visitas será no Sìtio ASAS, em São João D’Oeste, com objetivo de explorarmos a restauração florestal produtiva, por meio de sistemas agroflorestais, e a outra visita técnica será no Sítio Aborígene, em São Lourenço D’Oeste, com o foco em empreendedorismo rural.  O Seminário, cujo tema será “Metodologias de Restauração Florestal e Cadeias de Valor”, deverá contar com a participação de convidados externos com experiências em projetos sinérgicos em outras regiões do Brasil.  Também está prevista a realização de reuniões anuais com as instituições envolvidas no projeto.

Etapa B1
Implantação ou Fortalecimento das Estruturas de Produção de Sementes e Mudas

O viveiro florestal do CAV/UDESC já se encontra em operação. No entanto, o projeto promoverá a ampliação da infraestrutura existente e disponibilizará todos os insumos e sementes necessárias para a produção das mudas. Dentre a infraestrutura que será ampliada, inclui-se: a construção de uma casa de sombra, instalação de bancadas, aquisição de 3 bombas de irrigação, aquisição de 2 containers e de diversos insumos. Este viveiro será responsável por produzir 80.081 mil mudas de plantas nativas para restauração florestal no escopo do projeto.

Já o viveiro florestal do IFC Câmpus Abelardo Luz será completamente implantado com recursos do projeto. Durante o mapeamento das estruturas ativas e inativas de produção de mudas (Meta I - Etapa B) foi constatado que o IFC Câmpus Abelardo Luz possui uma estrutura inativa de viveiro florestal, composta por uma estufa de 96m², a qual se encontra colapsada em decorrência de um vendaval.

O Câmpus Abelardo Luz destinou uma área de 3.000 metros quadrados para a construção do viveiro florestal. O viveiro incluirá sistema de irrigação e proteção contra intempéries, visando à produção de 30 mil mudas de Araucaria angustifolia para o projeto. A operacionalização da produção será conduzida sob supervisão de 2 docentes, com o engajamento direto de 5 estudantes, em sua maioria filhos de agricultores assentados, que participarão de programas de estágio, pesquisa e atividades de extensão.

Etapa B2
Caracterização Genética e Definição de Matrizes Locais dos Propágulos das Espécies-alvo

A caracterização genética e a marcação de matrizes locais tem como objetivo garantir a variabilidade genética de mudas das 10 espécies-alvo do projeto, visando a conservação e manutenção das populações restauradas em longo prazo.

Cada uma das 10 espécies focais da caracterização genética terá 2 populações marcadas, cujo material biológico será coletado para avaliação em laboratório. Até fevereiro de 2026 as análises foram iniciadas para o butiá da serra (Butia eriospatha), cataia (Drimys brasiliensis), erva mate (Ilex paraguariensis), e para a bracatinga (Mimosa scabrella). Com base em protocolos anteriores realizados para a araucária e para a imbuia, já foram determinados alguns padrões de coleta para essas espécies.

Etapa B3
Coleta de Sementes e Produção de Mudas

A coleta das sementes nativas visa garantir a produção de mudas de espécies locais adaptadas às condições do ambiente, que irão desempenhar papéis essenciais na regeneração da vegetação nativa. A partir dos resultados da análise da diversidade genética (Etapa B.2), pretende-se utilizar matrizes de propágulos que irão garantir a diversidade das populações em longo prazo.

O sistema de coleta de sementes foi iniciado em fevereiro de 2026, por meio da organização de 6 coletores, sendo 5 dos assentamentos de Passos Maia, e 1 coletor do PA Dom José Gomes, em Chapecó. Os coletores fazem o planejamento conjunto das coletas, tendo em vista uma tabela repassada mensalmente pela equipe do projeto com informações sobre a fenologia das plantas. As áreas de coleta foram visitadas pela equipe técnica do projeto junto aos coletores previamente, considerando a aplicação dos critérios de coleta definidos pelo Núcleo de Pesquisa em Floresta Tropicais/UFSC, parceiro da Fundação CERTI nesta etapa.

Etapa B4
Capacitação em Coleta de Sementes e Produção de Mudas Nativas

As atividades de capacitação previstas na Etapa B.4 estão relacionadas à formação de agentes locais (agricultores, agricultoras e indígenas) para a coleta de sementes e produção de mudas. Ao capacitar pessoas para essas atividades de restauração, abrimos possibilidades de trabalho para outros projetos e também para que esses agentes possam ter o conhecimento teórico e prático necessários para restaurar suas próprias propriedades (lotes) e áreas comunais nos assentamentos e na Terra Indígena. No escopo desta Etapa serão realizadas duas capacitações, a saber: uma em parceria com o Núcleo de Pesquisas em Florestas Tropicais/UFSC, e outra com o Instituto Chauá. Ambas têm como objetivos capacitar o público-alvo em temas específicos como marcação de matrizes, coleta de sementes e produção de mudas. As capacitações terão uma abordagem teórica e prática, garantindo a aplicação direta dos conhecimentos adquiridos.

Etapa C1
Implantação da restauração florestal

A implantação da restauração florestal teve início com o cercamento das unidades de implantação da restauração florestal e controle das plantas exóticas. Conforme previsto, serão cercados aproximadamente 24 km de área, incluindo a implantação de novas cercas e a reforma de cercas antigas. O controle de espécies exóticas está focado principalmente na retirada do pinus e da uva do japão, sendo esta última mais frequente na TI Toldo Pinhal. Até fevereiro de 2026 foi iniciado o cercamento dos assentamentos Che Guevara, Madre Cristina e Zumbi dos Palmares, e o Parque Estadual Rio Canoas. Neste último, todas as 2500 plantas exóticas foram retiradas e aproximadamente 5 mil metros de cerca foram reparados.

Etapa C2
Capacitação

As ações propostas nesta Etapa darão continuidade às atividades de capacitação iniciadas nas Etapas A e B, da Meta II, de forma a promover a consolidação do conhecimento repassado nas atividades anteriores e reforçar as oportunidades de renda associadas à cadeia da restauração florestal.

Estão previstas: 1 formação (capacitação), uma visita técnica e um seminário. A primeira atividade será uma formação sobre Técnicas de  Plantio e Restauração Florestal, que será desenvolvida junto com Instituto Sociedade Chauá. A segunda atividade, será uma visita técnica no Sítio Nascentes do Arvoredo, em São Pedro de Alcântara, com o foco em restauração florestal produtiva (sistemas agroflorestais). Por fim, a terceira atividade será um seminário cujo título  será “Perspectivas de Mercado na Cadeia da Restauração Florestal”.

Meta III

Etapa A1
Realização do Monitoramento e da Manutenção das ações de restauração nas Unidades de Implantação

As ações de manutenção, iniciadas na Meta II imediatamente após o plantio, terão continuidade na Meta III até se constatar o estabelecimento da vegetação. Em áreas recém plantadas, que representam o estágio mais crítico para o sucesso do plantio, serão realizadas visitas a cada 20 dias até o terceiro mês. Depois disso, as visitas ocorrerão a cada 4 meses, a depender da situação e evolução das áreas. A manutenção será realizada em todas as unidades de implantação (UIs) independentemente da técnica de restauração aplicada, e consistirá, nas áreas em que demandar a ação: (i) no replantio de mudas nas áreas onde houver falhas no plantio ou no desenvolvimento das mudas; (ii) manejo de plantas invasoras, por meio de roçada manual; (iii) coroamento de mudas; (iv) controle de formigas cortadeiras; e (v) controle de fatores de degradação ambiental, a exemplo da presença do gado, fogo, dentre outros. Serão registrados (i) todos os episódios de replantio, para que seja possível obter o indicador "taxa de mortalidade das mudas plantadas", e (ii) todos as evidências da presença de gado, para que seja possível obter o indicador "frequência de ocorrência de gado".

O monitoramento das áreas sob restauração será realizado a partir de três metodologias distintas, a saber: (i) monitoramento da diversidade e riqueza de espécies (Protocolo 1); (ii) monitoramento da sobrevivência, crescimento em altura, diâmetro do colo e outros indicadores ecológicos (Protocolo 2); (iii) monitoramento da evolução da cobertura vegetal nativa e seu vigor vegetativo (Protocolo 3).

No PROTOCOLO 1, os indicadores ecológicos são:

1 - Riqueza de espécies nativas regenerantes (≥ 50 cm) - Número de espécies de árvores e arbustos regenerantes nativos com altura maior ou igual a 50 cm e com Circunferência à Altura do Peito menor que 15cm ou inexistente dentro da unidade amostral definida.

2 - Densidade das espécies-alvo - Número de indivíduos das espécies-alvo (h = 50 cm), adultos ou regenerantes, plantados ou recrutados naturalmente, convertido para número de indivíduos por hectare.

No PROTOCOLO 2, os indicadores ecológicos a serem monitorados serão:

1 - Sobrevivência das espécies introduzidas: Número de mudas nativas introduzidas e viáveis das espécies-alvo e demais espécies, expressa em porcentagem.

2 - Presença de Espécies Exóticas Invasoras: Devem ser contabilizados nas áreas monitoradas, os indivíduos com altura igual ou superior a 50 cm.

 3 - Cobertura do solo com vegetação nativa - Cobertura do solo por vegetação nativa (arbórea, arbustiva e herbácea), expressa em porcentagem.

4 - Densidade de indivíduos nativos regenerantes: Número de indivíduos de árvores e arbustos regenerantes nativos com altura maior ou igual a 50 cm e com Circunferência à Altura do Peito menor que 15 cm ou inexistente, dentro da unidade amostral definida com extrapolação do resultado obtido para uma área de 1 hectare.

5 - Ocorrência de processos erosivos: Atestar a ausência de processos erosivos, através da  avaliação visual da presença de erosão laminar, em sulco, ravina, crosta superficial ou voçoroca.

No PROTOCOLO 3, serão monitorados os seguintes indicadores:

1 - Área coberta com vegetação;

2 - Índice de vegetação da diferença normalizada (NDVI);

3 - Taxa de retenção de solo, e

4 - Estoque de carbono.

Etapa A2
Capacitação do Público Beneficiário

Nesta etapa serão realizados dois seminários de capacitação. O primeiro seminário terá como título “Perspectivas da Cadeia da Restauração Florestal”, para o qual serão convidados o Pacto pela Mata Atlântica e a empresa Belterra.  Os temas que serão abordados no seminário incluirão: planejamento da paisagem, diversidade de cadeias associadas à restauração florestal, a restauração na Mata Atlântica, fornecimento de insumos, mercado e viabilidade econômica.

O segundo seminário terá como título “Restauração florestal e rede de sementes: perspectivas de renda para comunidades tradicionais e para agricultura familiar”. Serão convidados como palestrantes representantes da Iniciativa Nacional 1 Milhão de Mudas, desenvolvida pelo Movimento Sem Terra, que visa a recuperação de áreas degradadas por meio da produção, distribuição e plantio de mudas nativas, com foco na restauração ecológica em larga escala; e um representante da Iniciativa Redário, que busca fortalecer redes colaborativas entre pequenos produtores e comunidades locais para a produção e fornecimento de sementes nativas, promovendo a escalabilidade e o acesso a sementes para projetos de restauração florestal em diversas regiões do país. No seminário serão apresentadas as iniciativas desenvolvidas pelas instituições convidadas, as quais abordarão os seguintes temas: experiências com redes de coletores de sementes e comercialização de sementes e produção de mudas de espécies nativas, a restauração florestal na agricultura familiar e na pequena propriedade rural, a estruturação de redes colaborativas, desafios e perspectivas. Também será abordada a integração entre a produção local e o mercado, e como as políticas públicas podem apoiar a recuperação ambiental, apresentando soluções e oportunidades futuras para os integrantes.